Quando o entretenimento está alinhado com o conhecimento

Quando o entretenimento está alinhado com o conhecimento

O isolamento social, motivado pela pandemia do coronavírus, impôs uma nova rotina para profissionais e estudantes. Foi preciso se adaptar à nova realidade para fazer da própria casa um local de trabalho e estudos. Mas, a vida também merece uma boa dose de lazer e entretenimento, não é mesmo?

Alexandre é mestre em Administração e professor.

Para quem está em quarentena, a dica é aproveitar o tempo a mais dentro de casa para assistir algumas séries. E quando a diversão está alinhada com o conhecimento, melhor ainda! Pensando nisso, o Conselho Federal de Administração (CFA) conversou com o professor da Escola de Gestão, Alexandre Viegas. Ele é mestre em Administração e especialista em Comportamento Organizacional.

Apaixonado por séries, eles separou algumas indicações interessantes para estudantes e profissionais de Administração. São séries que, além de diversão, trazem importantes lições de liderança, planejamento, trabalho em equipe, entre outros.

Confira! Ah, podem confiar: aqui não tem spoiler!

La Casa de Papel

Esta é uma série espanhola que caiu nas graças do público brasileiro. Desde a sua estreia, em 2017, “La Casa de Papel” tem arrebatado milhões de fãs. A sua história gira em torno de um grupo de pessoas que se unem para cometer um assalto. Mas não trata-se de um roubo qualquer: a missão era atacar a Casa da Moeda da Espanha.

A série é dividida em quatro partes e a mais recente delas foi lançada no início deste mês. Para Alexandre, a questão do assalto não é um exemplo positivo. Contudo, todo o planejamento adotado para o roubo deixa muitas lições para os Administradores. “Uma das coisas mais interessantes que a série nos ensina é que: pessoas são diferentes. Cada um responde de um jeito e de uma forma. E como o líder vai agregar essas pessoas e fazer com que cada um entregue seu melhor?”, questiona.

Em La Casa de Papel, o líder é o personagem apelidado de “Professor”. “Ele é um guia, um influenciador. Essa pessoa deve ser um farol para as outras”, diz Alexandre. Outro ponto interessante que ele traz é a importância da liderança para ajudar colaboradores a crescer. Na série, a equipe fica isolada para planejar o assalto. “É isso que o administrador, o gestor tem que fazer. Ele vai planejar, testar, vai criar cenários, vai ver possibilidade, ele vai investir na equipe olhando para todos de um modo mais global.

Além disso, a série mostra que as pessoas podem cometer erros, principalmente em ambiente com muito estresse. Porém, o verdadeiro líder não foca no erro, ele incentiva o colaborador a achar soluções. Nessas situações, é fundamental o equilíbrio do líder. “Imagina se o líder começa a surtar! E isso está acontecendo em muitas empresas: gestores que usam a  liderança pelo medo: ou você faz ou já sabe e ameaçam demitir. Isso não é legal”, explica o professor.

Em época de pandemia, Alexandre ressalta que esse cuidado é ainda mais essencial. “Já está todo mundo estressado, surtado e enlouquecido com as mudanças e gerar mais estresse e mais pressão não vai resolver. Só vai dificultar. E, detalhe: se as pessoas começam a suncumbir, as organizações também vão passar por isso”, afirma.

Em La Casa de Papel, são as pessoas que fazem a magia acontecer e o mesmo acontece dentro de uma empresa. “O líder, portanto, é que ajuda o grupo a atravessar as piores tempestades”. Outro ponto destacado por Alexandre é que o líder, ao planejar suas ações, precisa pensar em todos os cenários. Na série, o “Professor” tem uma saída para cada problema que ele e sua equipe enfrentam, reforçando a importância de dar mais atenção a gestão de risco nas organizações, principalmente no atual momento em que o mundo vive.

 

The Crown

The Crown é uma daquelas séries que começam mornas, mas a cada episódio há reviravoltas que tornam a narrativa mais empolgante e animada. Ela conta a história da Rainha Elizabeth II, da Inglaterra. Ela assumiu a coroa aos 25 anos e não estava preparada para a missão. O seu reinado acaba de completar 68 anos e a rainha já passou por muitas coisas: estresse, conflitos, crises internacionais, recessão, crise política, conspiração, sabotagem, entre outros.

Para Alexandre, a série também dá uma ótima lição de liderança. A Rainha viveu muitas adversidades – a mais recente é a pandemia da Covid-19 – mas a sua forma de liderar foi essencial para ajudar os ingleses a atravessar os tempos de crise. “Nesse cenário de incerteza em que não sabemos para onde vamos, aonde vai parar tudo isso que está acontecendo com o mundo, a liderança assertiva é fundamental”, afirma.

De acordo com Alexandre, a série mostra que um líder precisa manter-se firme, ter clareza das situações e saber adaptar-se a elas. “Há uma insegurança generalizada – medo de ficar doente, medo de perder emprego, etc – e isso traz uma áurea muito negativa no ar e não para menos, com tudo que estamos vivendo. Mas acho que a Rainha consegue nos mostrar isso: como se adaptar em tempos difíceis”, defende.

Independente do que esteja acontecendo, é preciso que estar aberto a mudar o mindset. “Vejo muita gente no mercado lamentando e reclamando, mas não propondo soluções. O mundo já está cheio de pessoa assim e não precisamos mais disso”.

 

Stranger Things

Essa é aquela série para o público infanto-juvenil, mas que dá uma aula para gestores de todas as idades. Por que? Ela mostra o trabalho em equipe. “Se a gente observar a forma como as crianças foram evoluindo – hoje elas são adolescentes – e como eles conseguem interagir e encontrar rápidas soluções para os conflitos que eles estão vivendo, as sacadas são geniais”, explica Alexandre.

De acordo com ele, a série mostra muitas competências que estão em falta nos dias de hoje: humildade, colaboração, integração, lealdade. “Os personagens não deixam o colega afundar. Se ele está com um grande problema, vamos ajudar pois o problema não é dele, o problema é da equipe. Na empresa, as pessoas precisam ter essa consciência global e sistêmica do negócio. Não adianta uma área estar indo bem e a outra descer morro abaixo, não vai funcionar”, justifica, lembrando que, na série, um colega pisa na bola, o outro vai lá e fala ‘olha, cara, não é por aí, somos um grupo, não podemos nos separar’.

“É isso que tem que acontecer nas empresas. Essa é uma série leve, divertida, mas que aborda comunicação, relacionamento, trabalho em equipe, bem estar, foco, planejamento, lidar com conflitos de forma madura, integração, colaboração, se preocupar com outro e empatia”.

Ana Graciele Gonçalves

Assessoria de Comunicação CFA

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